Quando passei no vestibular aconteceram duas revoluções em minha vida. Talvez revolução seja uma palavra forte para explicar aqui tais acontecimentos, mas foi utilizada intencionalmente com o objetivo de evidenciar as mudanças notáveis em virtude deles.
Em 2005, um mundo novo se abriu a minha frente, pois o universo acadêmico possibilitou-me experimentar novas vivências, amizades, novos lugares, conhecimentos, pontos de vista. Enfim, a primeira revolução foi em minha mente, isto é, nos modos pelos quais costumava enxergar as pessoas, a sociedade, a história, a vida. Mas também me inseri em uma outra órbita nesse mesmo ano: o ciberespaço. E-mails, grude, internet, sites, pesquisa, scielo, moodle, google, plataforma lattes, word, power point, sistema pergamun... De repente, uma analfabeta digital estava rodeada por um enxame de recursos e aparatos digitais.
A princípio fiquei perdida nesse mar cibernético e recordava o quanto minha vida era simples, permeada desde então pelos cadernos, trabalhos feitos à mão, pelas letras bonitas e redondas, pelas enciclopédias, pelos livros didáticos, quadros negros, pelas margens coloridas e pelos adesivos, cartazes e cartolinas. Estes foram trocados por textos digitados, artigos no scielo, pesquisa na wikpédia, aí me perguntei: mas, cadê os livros, cadê a matéria no quadro? Os livros transformaram-se em infinitos textos parcialmente xerocados e a matéria no quadro em frases projetadas num lugar que mais parecia uma parede do que um quadro, mas era mesmo um quadro, todavia branco.
Uma nova identidade interpelava-me, a identidade ciborg, trazendo consigo certo deslumbramento por suas facilidades, porém alguns entraves surgiram. Escrever um texto se transformou em um caos quando me via em frente a um monitor e um teclado, uma vez que era difícil associar o branco da tela ao branco do papel, muito menos o teclado parecia o lápis e a borracha. O lápis e o papel definitivamente faziam parte de mim, mesmo que isso significasse um duplo trabalho de ter que primeiro escrever no papel e depois digitar. E como todo aprender é um processo, tive que aprender a escrever um texto diretamente no computador, já que os artigos, ensaios, relatórios se multiplicavam e o tempo subtraía.
Hoje, já formada, me considero completamente inserida na cibercultura, uma letrada digital! Contudo, tenho que confessar uma coisa: gosto mais dos livros, dos cadernos, das canetas coloridas, e, principalmente, das pessoas e das conversas ao pé do ouvido que os msn’s e os orkut’s da vida distanciam a cada dia.
Crônica - Aline Braga Moreira
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
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