segunda-feira, 30 de novembro de 2009

A Grande Mudança

Sempre quis produzir textos. Naquela tarde, a chama trepidava no fundo da lareira da sala. A chuva batia forte na vidraça da janela. Branquinho, meu gato e companheiro, dormia enroscado nos meus pés. Enquanto eu tentava me cobrir o melhor possível, com o pequeno edredon, que ganhei há alguns anos da minha tia. Esticada no sofá, assistia a um filme na televisão, que já nem me lembro o nome, ou que na verdade não estava nem prestando atenção.
Foi quando chegou aquele senhor calvo, alto e muito misterioso. Quem, em sã consciência viria a casa de uma pessoa estranha, debaixo daquele temporal para vender um computador com internet grátis?
Não custou nada assistir a uma demonstração sua. Mas assim que meus olhos se depararam com aquela imensidão de sons, palavras e imagens, percebi que até hoje não tinha “baixado” o verdadeiro cenário da minha vida.
Quanta coisa tinha deixado pra trás, quanto deixei de aproveitar. Mas agora, não. Fiz logo o download de tudo aquilo que me interessava, mergulhei fundo no menu de possíveis opções e fui acumulando tudo na minha memória RAM.
O senhor quis levar toda a tecnologia que passou a mover minha vida. Tive que impedi-lo de qualquer maneira. Criei um vírus mortal, que afetou sua memória, fez com que ele esquecesse de tudo e fosse embora.
Me dediquei então a criar páginas com textos variados, que iam desde a lareira, até a faca suja na pia. Passei a disponibilizar meus textos para quem quisesse acessá-los. Chegou um ponto que não sabia mais onde terminava o Hipertexto virtual e onde começava o Hipertexto da minha vida.
Essa novidade me fez perceber o quanto é bom escrever coisas banais e supérfluas, tornando-as verdades para pessoas reais e desconhecidas.
Mexer com o imaginário das pessoas, fazê-las acessarem minhas descobertas, baixarem minha própria vida e copiarem e colarem meus hábitos para suas áreas de trabalho é algo tão fascinante, que já não me vejo mais vivendo sem isso.
Tanto que o Branquinho até mudou de nome, agora ele se chama Byte.

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